O SENHOR DO TEMPO, Rev. Wanderson

Entramos na segunda quinzena do mês de janeiro. Se o final de dezembro e o início de janeiro foram períodos de planos e metas para 2019, para muitos o término do primeiro mês do ano chega com a sensação de que não vamos dar conta do que foi planejado. O planejamento financeiro não foi cumprido, os armários não foram arrumados e a dieta e os exercícios estão … bom, deixa pra lá. Por que isso acontece conosco? Por que temos tanta iniciativa e tão pouca “acabativa”? É interessante notar que quanto mais livros de gerenciamento de tempo e produtividade são publicados, mais as pessoas parecem estar “enroladas” em suas tarefas, o que gera sentimento de culpa e frustração. Compartilho com você, leitor, alguns princípios que norteiam a vida dos cristãos e que, creio eu, são úteis a todas as pessoas.

Sugiro, antes de mais nada, que você trate o tempo como um bem que não lhe pertence. Stephen Hawking em seu livro “O Universo Numa Casca de Noz”, mostra que o tempo não é linearmente infinito, mas teve um início. Embora eu discorde do ateísmo de Hawking, vejo que tal afirmação traz implicações interessantes. Se o tempo teve início e não é uma entidade autônoma, entendo que houve um autor, um designer e, portanto, em última instância, este é o Senhor do tempo. Compreender isso traz uma mudança de postura no gerenciamento de minha agenda. Muitos administram seu tempo para si, enquanto deveriam administrá-lo para Ele (o Criador) e para o próximo, pois esse é o resumo da Lei e finalidade de nossa existência: amar a Deus e ao próximo. Não entenda erroneamente este conceito, achando que tal tarefa só pode ser feita por meio de “ofícios religiosos” como tornar-se pastor, padre, evangelista ou missionário. Também não ache que servir ao próximo implique necessariamente em fazer trabalho voluntário, abrir uma ONG ou distribuir seus bens. Tais práticas são válidas e merecem elogio, mas não são únicas. Creio que uma mulher que cuida com excelência do seu lar e dos seus filhos, um motoboy que dirige de forma responsável, um patrão justo com seus empregados e um funcionário pontual são bons “gerentes de tempo”. Portanto, tenha cuidado com sua agenda. Quando você a administra de forma atabalhoada, está desperdiçando algo que não lhe pertence. Também se lembre de, ao estabelecer metas e realizar projetos, avaliar o quanto meu próximo será beneficiado com o cumprimento dos meus objetivos. Talvez o motivo do fracasso de tantos planos seja nosso egoísmo!

Se você se assustou com essa mudança de paradigma, quero lhe dar uma boa notícia. Saiba que, por causa da obra de Cristo, todos somos capacitados a fazermos boas obras com excelência e cuidarmos do nosso tempo. Deus não apenas aponta o objetivo correto para administrarmos nossas tarefas, como também nos capacita a fazê-las! Isso é maravilhoso! Mesmo que às vezes você se sinta incapaz, saiba que em Cristo há os recursos necessários para sua empreitada. É possível que a principal causa de nossa frustação é que nós procuramos combustível motivacional em diversas fontes (livros, dieta, programas de tv, coaches) e não em Cristo. Esse é um erro fatal. É como abastecer o carro com combustível adulterado: a largada pode ser igual aos demais e parecer vantajosa por causa do preço baixo, mas ao longo da jornada as consequências virão. É óbvio que durante o caminho o cansaço chegará, mas quão bom é saber que “…os que esperam no Senhor renovarão suas forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”.

Nosso desafio é livrar-nos do padrão vigente de gerenciamento de tempo, cuja finalidade e combustível são o mesmo objeto: nosso ego. Que façamos nossas tarefas com excelência a prestando contas ao Senhor do Tempo e buscando o bem do próximo.

Pense Nisso!